Sono
Melhores tratamentos para insônia
Não existe um único tratamento para a insônia: existe o tratamento certo para o seu tipo de insônia e para o seu organismo. Um guia médico do que funciona, da TCC-I aos medicamentos, fitoterápicos e canabidiol.
Por Dra. Ana Luísa Sardinha5 min de leitura

Se você passa as noites olhando para o teto e calculando quantas horas de sono ainda lhe restam, você conhece a frustração da insônia. E a busca pelo "sono perfeito" costuma levar as pessoas a caminhos perigosos: da dependência de tarjas-pretas ao uso aleatório de suplementos sem eficácia.
Para recuperar o seu descanso, é preciso entender o ponto de partida:
Não existe um único tratamento para a insônia, mas sim o tratamento certo para o seu tipo de insônia e para o seu organismo.
A primeira linha: a melhor evidência científica de todas
A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) não é apenas uma alternativa aos medicamentos: ela é considerada por todas as principais diretrizes médicas do mundo (incluindo a American Academy of Sleep Medicine e a European Sleep Research Society) como a primeira linha absoluta de tratamento para a insônia crônica.
Diferente da psicoterapia convencional, a TCC-I é um protocolo focado, estruturado e de curto prazo (geralmente entre 4 a 8 sessões).
Ela atua diretamente nos fatores que perpetuam a insônia ao longo do tempo: os pensamentos disfuncionais sobre o sono e os comportamentos condicionados que impedem o corpo de relaxar.
Medicações alopáticas tradicionais
Ansiolíticos clássicos (benzodiazepínicos, tarja preta)
Embora causem forte sonolência, eles destroem a arquitetura natural do sono, impedindo que você atinja as fases mais profundas (sono REM), essenciais para restaurar a memória e a imunidade. Você dorme, mas com aquela sensação de acordar cansado. Não indicados para tratar insônia.
Exemplos: Clonazepam (Rivotril®), Diazepam (Valium®), Alprazolam (Xanax®)...
Indutores modernos (Z-drugs, não-benzodiazepínicos)
Rápidos e eficazes para induzir o sono em pacientes com insônia inicial. Porém, o uso prolongado gera tolerância (precisar de doses cada vez maiores), sonambulismo e amnésia anterógrada, em que o paciente pode esquecer eventos ocorridos após a ingestão do medicamento. Úteis quando serão utilizados por poucos dias.
Exemplos: Zolpidem (Stilnox®), Zaleplon e Zopiclona (Prysma®)
Antidepressivos ou antipsicóticos
Essas medicações em baixas doses são excelentes ferramentas quando a insônia está ligada a um quadro de ansiedade ou depressão subjacente. Boa opção para insônia crônica.
Exemplos: Trazodona (Donaren®), Quetiapina, Mirtazapina, Amitriptilina, Pregabalina, Agomelatina
Moduladores de receptores de orexina
Esta é a classe mais moderna e fisiológica para tratar o sono. Eles bloqueiam o neurotransmissor que nos mantém acordados e, quando o efeito passa, você volta ao normal, "sem ressaca". Infelizmente, caríssimos e pouco disponíveis no Brasil.
Exemplos: Lemborexanto (Dayvigo®), Suvorexanto (Belsomra®)
Medicações naturais e suplementos
O limite do "natural" e o risco da autoprescrição: o cansaço extremo costuma nos fazer buscar uma solução rápida e sem receita. Porém, o uso sem critério traz "pontos cegos":
- O risco de mascarar a verdadeira causa raiz da insônia (como apneia ou depressão)
- Muitos fitoterápicos vendidos em farmácias e lojas de produtos naturais são registrados como "suplementos" e não como "medicamentos", então não passam por avaliação ou padronização rigorosa. Um lote pode ser fraco e não fazer efeito
- Interações medicamentosas: chás e fitoterápicos são processados pelas mesmas enzimas do fígado que metabolizam outros remédios que você já usa (como anticoncepcionais ou anti-hipertensivos), podendo reduzir o efeito deles ou sobrecarregar seu fígado
O "natural" também exige precisão! E somente após avaliação médica, podemos considerar o uso de:
Rahime® (Kava-Kava): extrato padronizado indicado quando a insônia acontece por um quadro de ansiedade ou tensão crônica. Atua de forma suave para desligar os pensamentos acelerados ao deitar. Exige monitoramento médico da função do fígado.
Melatonina: hormônio responsável pela regulação do ciclo sono-vigília. Útil para insônia relacionada ao ritmo circadiano (diagnóstico médico), jet lag ou adaptação ao trabalho em turnos (plantões). O erro comum: tomá-la em horário ou dose não escolhidos para o SEU caso confunde os receptores e desregula ainda mais o relógio biológico.
Triptofano e Magnésio: aminoácido e mineral que funcionam como matéria-prima para a produção natural de serotonina e melatonina, além de auxiliarem no relaxamento muscular. Ajudam os outros medicamentos a fazerem efeito, mas não resolvem a insônia crônica sozinhos.
Fitoterápicos tradicionais (Valeriana, Passiflora, Camomila): úteis para acalmar a agitação mental leve, principalmente quando associados a "rituais calmantes" (luz baixa, música calma, respiração lenta, aquecimento das mãos pela xícara, fatores que são perdidos quando você toma em cápsula).
Canabidiol: uma evolução no tratamento porque não atua como um "interruptor" cerebral, mas sinalizando ao corpo que é hora de desacelerar. Permite que o cérebro passe por todas as fases naturais do sono (incluindo o sono REM), sem acordar com o "efeito ressaca". Utilizando uma combinação de compostos específica para cada pessoa, conseguimos atuar em diferentes tipos de insônia (crônica, aguda, inicial, de manutenção...). Hoje em dia já temos diversas marcas vendidas nas farmácias tradicionais, com segurança e monitoramento pela Anvisa. O erro comum: tentar uma única formulação e já desistir, ou não fazer acompanhamento periódico para regularização de dose.
O alicerce invisível: higiene do sono

Nenhum tratamento funciona isoladamente se a sua rotina estiver hiperestimulando o seu cérebro durante o dia. A consolidação de uma boa noite começa ao acordar:
- Sincronize o seu relógio biológico: exponha-se à luz solar logo pela manhã. Isso interrompe a produção de melatonina e sinaliza para o cérebro que o dia começou, ajustando a química para a noite seguinte.
- Crie uma "janela de desaceleração": pelo menos 1 hora antes de deitar, desligue telas (celular, TV, computador). A luz azul desses aparelhos inibe diretamente a sua produção natural de melatonina, fazendo o cérebro achar que ainda é dia.
- Ancoragem da cama: use a cama apenas para dormir. Se você perder o sono e ficar rolando de um lado para o outro por mais de 20 minutos, levante-se. Faça uma atividade calma sob luz baixa (como ler um livro físico) e só volte para a cama quando o sono reaparecer. Isso evita que o seu cérebro associe a cama à frustração de estar acordado.
O seu sono merece uma abordagem científica e individualizada
A insônia crônica não é apenas uma noite em claro; é um sinal de que o seu sistema nervoso está com dificuldade de se autorregular, e há um caminho seguro para você voltar a descansar.
O seu tratamento merece critério, segurança e acompanhamento especializado. Se você está pronto para realizar uma investigação médica aprofundada e desenhar um plano terapêutico exclusivo para o seu perfil, agende uma avaliação.
Meu nome é Ana Luísa, sou médica, e estou aqui para guiar você de volta ao equilíbrio e às noites de sono reparador.
Continue lendo

Ansiedade
Como parar uma crise de ansiedade
Uma técnica para interromper a crise agora, os hábitos que ensinam o cérebro a desacelerar, e por que buscar um 'remédio natural' por conta própria pode piorar o quadro.
4 min de leitura

Saúde mental
Você não precisa chegar ao limite para procurar ajuda
Esperar a crise para cuidar da mente é como esperar a dor ficar insuportável para ir ao médico. Entenda o que é acompanhamento em saúde mental antes da crise e como saber se faz sentido para você.
3 min de leitura